segunda-feira, 6 de maio de 2013

2º BIMESTRE


Situação 1: A mudança das distâncias  geográficas e os processos migratórios
As Migrações
Os movimentos horizontais, são os deslocamentos definitivos ou temporários dos habitantes de uma lugar para outro. Um exemplo é o nomadismo, um movimento constante praticado pelos povos sem residência fixa como os ciganos.
As migrações são internas quando ocorrem dentro de uma mesmo país e externas quando se dão de um país para outro, daí o fato de existir:
·         emigração: a saída da população de um lugar;
·         imigração: a entrada ou chegada de estrangeiros num lugar.
Os estrangeiros que se encontram morando no Brasil foram emigrantes de seus países – Portugal, Espanha, Itália, Japão – e, quando aqui chegaram, tornaram-se imigrantes.
A emigração de um país pode ser causada por vários fatores, como crises econômicas, doenças epidêmicas, perseguições políticas e religiosas, preconceitos raciais, catástrofes naturais como terremotos, seca, etc. mas  os motivos econômicos são os que mais movimentam populações no mundo de hoje.
Migrações Externas
Em qualquer país, o crescimento populacional resulta de duas variáveis: as migrações externas (entrada e saída de pessoas do país) e o crescimento natural ou vegetativo da população (diferença entre as taxas de natalidade e as de mortalidade).
No caso do Brasil, apesar de a imigração ter contribuído de forma decisiva no aumento populacional, sem dúvida foi o crescimento vegetativo o fator principal do aumento populacional.
Entre 1872 e 1940, período em que o Brasil recebeu cerca de 80% do total de imigrantes, as taxas de crescimento populacional situaram-se em torno de 1,8% ao ano.
A partir de 1940 e até 1980, período em a imigração foi insignificante, as taxas de crescimento populacional situaram-se sempre acima de 2,3% ao não. Na década de 50, a de maior crescimento, as taxas situaram-se próximas a 3%.
Assim, se até a década de 30 a imigração teve participação importante no crescimento populacional, a partir de então o crescimento populacional passou a depender, quase exclusivamente, do crescimento vegetativo.
O crescimento demográfico ou total é o resultado do crescimento vegetativo, acrescido do contingente imigratório e subtraído do emigratório, representado pela formula:
 cd= cv + imigração e - emigração                     
Imigração na Europa
Intensas manifestações contra os estrangeiros ressurgiram na Europa na década de 1990. Com a queda do socialismo, ocorreu um grande do fluxo imigratório de populações que fugiam da crise econômica dos países da antiga órbita soviética e das guerras civis que esfacelaram a ex-Iugoslávia. A França, a Bélgica e, principalmente, a Alemanha foram os principais receptores destes novos migrantes que vieram a ser somados aos milhões de estrangeiros que já viviam nestes países.
Na Alemanha grupos neonazistas incendiaram albergues e promoveram violentos ataques à população de origem turca. Partidos políticos de direita e de extrema direita, defensores da deportação em massa de estrangeiros, tiveram votação expressiva em diversos países do continente.
Xenofobia e racismo
Ao mesmo tempo, a entrada de imigrantes vindos da África e da Ásia acentuou-se com a globalização e os impactos negativos que este processo tem produzido em todo o mundo pobre. Para muitos europeus a xenofobia está associada ao raciocínio simplista que relaciona o desemprego acentuado na Europa das últimas décadas à presença do estrangeiro. Alega-se, em alguns países da Europa, que muitos empregos foram tomados por grupos de origem imigrante em detrimento de verdadeiros europeus.
A onda de violência detonada pelos jovens suburbanos na França em outubro de 2005 pode ser atribuída ao colapso do Estado de Bem Estar Social que abandonou na última década a população mais pobre. Mas é também fruto da intolerância e do racismo. Estes jovens são filhos ou netos de imigrantes, nascidos na França e, portanto, de nacionalidade francesa.
Esta não é só uma realidade da França, mas de diversos países da União Européia, que temem que os distúrbios possam se espalhar por outros países do continente. O fato de terem nascidos na França, Alemanha, Inglaterra, Itália não os tornaram verdadeiros franceses, ingleses, alemães ou italianos. Na Alemanha é comum um ditado: "caso um pato nasça no galinheiro, isto não o torna galinha, ele permanecerá sendo pato". Na prática é assim que parte expressiva da sociedade destes países vê seus vizinhos suburbanos de ascendência argelina, marroquina, turca, senegalesa, paquistanesa, hindu, etc.
Discriminação e revolta
Muitos destes imigrantes entraram na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Foram "bem vindos", pois contribuíram para a sua reconstrução. Salários baixos e trabalhos pesados os esperavam de mão aberta. Eram grupos formados principalmente por argelinos na França, turcos na Alemanha, hindus e paquistaneses no Reino Unidos, e muitos outros.
Hoje os europeus não precisam mais deles e nem dos seus filhos. Como não sabem o que fazer deixam-nos relegados à sua própria sorte. Vivem em subúrbios ou bairros deteriorados, residem em conjuntos habitacionais especialmente construídos para a população de baixa renda e arruinados pelas marcas do tempo. Não contam com serviços públicos de boa qualidade e são discriminados no mercado de trabalho. Enquanto o índice médio de desemprego na França é de 10% (2005), nos subúrbios próximos à Paris gira entre 35 a 40%.
O mercado de trabalho está bloqueado principalmente à população mais jovem que não conta com escolas de boa qualidade e acesso ao ensino superior. Os empregos, quando disponíveis, são equivalentes àqueles exercidos pelos seus pais e avós: baixa remuneração, baixa qualificação e nenhum prestígio social.
Vigiar e punir
O poder público aparece nestes guetos que se formaram na periferia de importantes cidades européias e, também nos Estados Unidos, principalmente para reprimir e punir. A situação só é mais sombria nas grandes cidades do mundo subdesenvolvido.
As ações policiais têm manifestado com freqüência atitudes embutidas de racismo e xenofobia. Ainda em 2005, após os atentados terroristas em Londres, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto com seis tiros, depois de imobilizado pela polícia. No Texas um peruano espancado por policiais acabou morto.
Os Estados Unidos questionam os europeus pela ausência de uma política de integração dos imigrantes. De fato, não faltam motivos para tal questionamento. Mas, em 1992, uma revolta semelhante ocorreu na cidade de Los Angeles, quando quatro policiais responsáveis por um espancamento brutal ao motorista negro Rodney King, filmado e amplamente divulgado pela imprensa em todo o mundo, foram absolvidos em julgamento. A revolta teve origem nos bairros deteriorados habitados principalmente por negros situados ao sul de Los Angeles, tomou conta de toda a cidade e se alastrou para São Francisco, Las Vegas, Atlanta e outras cidades norte-americanas.
A favor dos imigrantes
É claro que não existe um pensamento uniforme sobre a questão imigrante. Partidos de esquerda, ambientalista e liberal defendem uma política de integração. Defendem que a Europa precisa deles. Muitos empregos que o europeu não está disposto a aceitar têm sido preenchidos, há algum tempo, por imigrantes e seus descendentes. Além disso, o crescimento demográfico da Europa está praticamente estabilizado, os jovens diminuem a cada década e a população envelhece. Os imigrantes são a força rejuvenescedora do "velho continente". Hoje são os que mais contribuem para o crescimento demográfico da maioria dos países da Europa, especialmente dos países mais ricos.
(Obs. A zona do euro é formada por Irlanda, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, França, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Alemanha, Áustria e Finlândia.)
A revolta dos jovens sem perspectivas, desempregados e desamparados por políticas públicas, é uma reação à xenofobia, ao racismo latente de uma parcela significativa da sociedade européia, que os colocam em situação marginal. A solução em médio prazo só será consolidada com uma política de integração econômica, cultural e social das comunidades africanas, asiáticas e, também, latino-americanas.
Este não é um problema exclusivo da França. Envolve toda a União Européia. Os subúrbios de Londres, de diversas cidades italianas, da Bélgica, da Alemanha não são melhores que os de Paris. Não é sem razão que manifestações semelhantes já ecoaram em outras cidades européias.
As Migrações Internas
A migração interna corresponde ao deslocamento de pessoas dentro de um mesmo território, dessa forma pode ser entre regiões, estados e municípios. Tal deslocamento não provoca modificações no número total de habitantes de um país, porém, altera as regiões envolvidas nesse processo.
No Brasil um dos fatores que exercem maior influência nos fluxos migratórios é o de ordem econômica, onde o modelo de produção capitalista cria espaços privilegiados para instalação de indústrias, forçando indivíduos a se deslocarem de um lugar para outro em busca de melhores condições de vida e à procura de emprego para suprir suas necessidades básicas de sobrevivência.
A história povo brasileiro é uma história de migrações. A migração no Brasil ocorrem  pela inconstância dos ciclos econômicos e de uma economia planejada independentemente das necessidades da população.
O órgão do governo que cuida da imigração no Brasil é o Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
É comum no Brasil, a dedicação de certos imigrantes a determinadas atividades econômicas. É por essa razão que relacionamos:
·         portugueses - padarias e bares;
·         espanhóis - restaurantes, ferro-velho, indústrias gráficas e de metalurgia;
·         japoneses - mercearias ou quitandas, tinturarias ou lavanderias e eletrônica;
·         turcos (árabes e sírio-libaneses) com comércio de tecidos e de roupas;
·         chineses com pastelarias e restaurante.
A imigração para o Brasil foi oficializada em 1808, quando D. João VI criou um decreto que permitia aos estrangeiros serem proprietários de terras em nosso país. Entretanto, até 1850 o número de imigrantes foi insignificante e se restringiu a pequenos grupos de colonos açorianos, suíços e alemães.
Segundo Período - de 1850 a 1934
O grande surto de entrada de imigrantes ocorreu na segunda metade do século XIX. Vários fatores favoreceram a imigração para o Brasil:
• expansão da cafeicultura, que exigia numerosa mão-de-obra;
• proibição do tráfico de escravos através da lei Eusébio de Queiroz;
• abolição da escravatura em 1888;
• crise econômica e desemprego na Itália.
Por outro lado, a imigração sofreu um sensível declínio por volta de 1915 devido à Primeira Guerra Mundial, crise econômica (1929), denúncias de constantes maus tratos aos imigrantes por parte dos fazendeiros.
Terceiro Período - de 1934 aos dias atuais
Nesse período, a imigração para o Brasil diminuiu sensivelmente, conseqüência de medidas constitucionais adotadas em 1934, como a Lei de Cotas da Imigração que foi reiterada pela Constituição de 1937 (governo ditatorial de Getúlio Vargas). Em 1938 fixou-se que 80% dos imigrantes deveriam ser agricultores. A Segunda Guerra Mundial foi outro fator que contribuiu para a redução de imigração, juntamente com o desenvolvimento econômico de vários países europeus.
Porém, na década de 50, um novo contingente de imigrantes (italianos sobretudo) vieram para o Brasil, fugindo das instabilidades políticas européias do pós-guerra.
De 1850 até 1980, entraram no Brasil cerca de 5 milhões de imigrantes; desse total, 3 milhões se fixaram definitivamente em nosso país, enquanto que o restante retornou à terra de origem ou migrou para outro local. No período de 1888 a 1914, ocorreram as maiores entradas de imigrantes com destaque para os italianos.
A Colonização Européia no Sul do Brasil
Embora desde o século XVII a região Sul já apresentasse núcleos de povoamentos ligados sobretudo à pecuária, somente no século XIX é que começou efetivamente sua colonização, através do processo de imigração.
Após a independência (1822), surgiram vários projetos de imigração que objetivavam a ocupação do Brasil meridional.
No início foram instaladas colônias com imigrantes alemães no Rio Grande do Sul (vale do rio dos Sinos) e em Santa Catarina (vale do rio Itajaí).
Em seguida, vieram os italianos que no Rio Grande do Sul ocuparam as bordas do planalto meridional e em Santa Catarina, o vale do rio Tubarão. Os eslavos (russos, ucranianos e poloneses) ocuparam algumas áreas do Paraná.
Características da Imigração no Sul
• Pequena propriedade agrícola.
• Trabalho de base familiar.
• Policultura de subsistência no passado e comercial na atualidade.
• Associação entre pecuária e agricultura.
• Técnicas européias de cultivo.
• Introdução de vários produtos agrícolas na região.
• Surgimento de várias cidades.
• Desenvolvimento de oficinas de artesanato que evoluíram para importantes indústrias.
A Imigração Italiana para São Paulo
Após os portugueses, os italianos constituem o grupo de imigrantes mais numeroso. O estado de São Paulo foi a principal área de destino desse imigrante que, juntamente com outros grupos, substituiu o trabalho escravo nas lavouras de café.
As constantes crises que afetavam a lavoura cafeeira, as dificuldades de acesso à terra e as péssimas condições de trabalho nas fazendas cafeeiras provocaram sua migração para os centros urbanos, onde se transformou em força de trabalho para a indústria nascente.

A Imigração Japonesa

O elemento japonês representa começou a chegar em 1908 e fixaram-se principalmente no estado de São Paulo, onde se dedicaram às atividades agrícolas, na formação do cinturão hortifrutigranjeiro. No oeste paulista, região de Marília, Bastos, Tupã, Lins - dedicaram-se à cafeicultura e à cultura do algodão. No Vale do Ribeira do Iguape cultivaram o chá da Índia e a banana. No Vale do Paraíba do Sul: cultura irrigada do arroz. No Norte do Paraná: cafeicultura. No Pará: pimenta do reino e no Vale do Amazonas (AM): juta e arroz.

O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de junho de 1908, o Kasato Maru, chegou ao porto de Santos, no Estado de São Paulo, trazendo 165 famílias que vinham trabalhar nos cafezais do Oeste Paulista. Essa viagem simboliza o marco inicial da imigração japonesa para o Brasil.

A aproximação entre Brasil e Japão teve início com a promulgação da Lei nº 97, de outubro de 1892, que permitia a imigração asiática. As negociações para estabelecer japoneses no Brasil culminaram no Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Japão-Brasil, firmado em novembro de 1895. Um dos objetivos do tratado era o de se conseguir mão-de-obra para a cafeicultura brasileira, especialmente em São Paulo.

Após 1908, nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da Primeira Guerra Mundial (1914), a imigração explodiu: entre 1917 e 1940 chegaram mais 164 mil japoneses para o Brasil, sendo que 75% deles se dirigiram para São Paulo, já que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.

A onda migratória japonesa para o Brasil trouxe, segundo a Embaixada do Brasil em Tóquio, 188.986 imigrantes no período que vai da chegada do Kasatu Maru até 1941. O fluxo migratório cessou quase que totalmente no final da década de 1950, contando-se, naquela época, quase 200 mil japoneses estabelecidos no país.

Estima-se que, atualmente, vivem cerca de 1 milhão e 500 mil descendentes de japoneses no Brasil. A imensa maioria reside no Estado de São Paulo (principalmente na capital e nas cidades de Mogi das Cruzes, Osvaldo Cruz e Bastos) e no norte do Paraná (municípios como Curitiba, Maringá, Assai ou Londrina). Há também pequenas comunidades no Pará, atraídas inicialmente pelo cultivo da pimenta-do-reino.

No governo Getúlio Vargas foi adotado a quota de imigração (1934), limitando a entrada de imigrantes em nosso país.
As migrações internas estão intimamente ligadas ao processo de mudança da economia brasileira e à criação de novos pólos de desenvolvimento.
O Brasil é o país que tem a maior comunidade japonesa no exterior (exterior porque estão fora do Japão). São 1.500.000 pessoas entre japoneses e seus descendentes. Isso é resultado de uma onda imigratória proporcionada pelo Trata­do de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, assinado em 05/11/1895. De 1908 a 1941, migraram para o Brasil 188.986 japone­ses. Esse fluxo foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial e retomado nos anos 1950, quando vieram mais 53.555 imigrantes.
Eram 55 dias de desgastante viagem de navio, para percorrer 18.550 km. Se um imigrante não gostasse do que encontrou, dificilmente poderia "bater em retirada" e retornar à sua terra natal. Retornar apenas para visitar o Japão, durante muito tempo, não foi algo possível para muitos. Era muito caro percorrer uma distância geográfica tão grande.
Hoje, corresponde a 24 horas de vôo de avião. Em termos gerais, para as populações atuais desses dois países, essa mesma distância é ou­tra, tem outro significado em suas vidas.
O que aconteceu para mudar radicalmente o sentido desses 18.550 km? Uma aceleração no percorrer da distância geográfica. Uma aceleração dada pelo desenvolvimento e pelo acesso a novos meios tecnológicos que fizeram o espaço geográfico ser outra coisa; uma ace­leração que altera as relações entre essas duas sociedades (Brasil ↔ Japão).
A situação se inverteu: agora são 225.000 brasileiros que estão trabalhando no Japão. Estão impossibilitados de voltar se não gos­tarem? Podem visitar os parentes que ficaram no Brasil com regularidade? Esses parentes podem ir até eles? Eles são imigrantes, como os japoneses do início do século XX, que esta­vam trocando definitivamente de vida?
A visão anterior sobre a migração estrangeira era marcada pela visão de atitude definitiva. A quebra da rigidez da migração, hoje, transformou em algo mais temporário, transitório, e isso se deu em função da no­vas condições de mobilidade do ser humano, um produto da aceleração dos fluxos.
Migrações inter-regionais
Nordeste - Área de Repulsão
A região Nordeste é, desde o século XVIII, uma área de repulsão populacional. A estagnação da economia canavieira e a produção de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais provocaram um intenso deslocamento de nordestinos para essa área. No século XIX, com a decadência da mineração, nordestinos e mineiros se deslocaram para São Paulo, em conseqüência da expansão cafeeira.
No final do século XIX, grandes levas de nordestinos se dirigiram para a Amazônia, onde representaram a mão-de-obra básica na produção da borracha (1870 a 1910).
No século XX, com a construção de rodovias, intensificou-se a imigração de nordestinos e mineiros para São Paulo.
Esse fluxo populacional originou-se inicialmente com o café e depois com a atividade industrial.
Na década de 60, um significativo número de nordestinos se deslocou para o Planalto Central, atraído pela construção de Brasília e a construção da rodovia Belém - Brasília.
Outras Áreas de Emigração
Na década de 70, um grande número de paranaenses, mineiros e capixabas migraram para a Amazônia, sobretudo para Rondônia.
Atualmente, a construção de estradas, de hidrelétricas e de obras urbanas determinam novas frentes de migração para o Norte do país ou para a construção civil no Sudeste.
Pode-se concluir que a principal área de atração populacional é a região Sudeste, que recebeu mais migrantes do que todas as outras juntas.
A região Nordeste, área de repulsão, apresentou um saldo negativo; as regiões Norte e Centro-Oeste foram as que tiveram, percentualmente, saldos positivos mais elevados.
Tipos de migrações internas:
1- Êxodo Rural- é o abandono do campo em busca das cidades. Tem sido muito comum no Brasil, após nosso grande surto industrial. As cidades em fase de crescimento e de industrialização oferecem melhores condições de trabalho e de vida. Em busca dessas condições, milhares de retirantes abandonam as fazendas e se aventuram pelas nossas cidades.
O sucesso esperado não ocorre com todos esses trabalhadores, quase sempre carregados de família. Em muitos casos, a situação piora muito.
O êxodo rural tem muitas conseqüências e todas elas são bastante negativas.
·         desemprego e subemprego, quando o mercado de trabalho é pequeno para a quantidade de mão-de-obra disponível;
·         falta de habitações, gerando preços elevados no
·         formação de favelas e de bairros operários, sem as benfeitorias;
·         falta de água encanada e esgoto, coleta de lixo transportes coletivos;
·         marginalidade social, com delinqüência, mendicância e prostituição.
2- Transumância -  é um movimento periódico e reversivo, onde durante os longos períodos de seca o nordestino da região do semi-árido deixa sua região e vai em busca de trabalho na região da zona da mata (litoral). Quando tornar a chover no sertão ele volta para sua antiga morada.
O pastor nômade das regiões montanhosas é um transumante. Ele vive com seu rebanho nas montanhas, durante o verão e o outono e na planície, durante o inverno e a primavera.
3. Week-end (fim de semana)
Trata-se de uma migração temporária das populações das grandes cidades, que nos finais de semana se deslocam para o litoral ou interior (cidades históricas, estâncias hidrominerais e balneários) em busca de lazer, recreação, diversão e descanso.
Esse deslocamento populacional é mais intenso durante os feriados prolongados, causando congestionamentos e grande número de acidentes nas rodovias.

4. Vai e vem Cotidiano ou migração pendular
Nas grandes cidades ocorre intenso deslocamento de trabalhadores da periferia (bairros dormitórios) para o centro administrativo comercial, no início da manhã e em sentido contrário no final da tarde.  É um dos grandes causadores do Rush ou congestionamento.


Situação de aprendizagem 2 – A globalização e as Redes geográficas

Estado-nação

O Estado- nação é essencialmente formado de três elementos: 1) o território; 2) um povo; 3) a soberania.
A utilização do território pelo povo cria o espaço. As relações entre o povo e seu espaço e as relações entre os diversos territórios nacionais são reguladas pela função da soberania.
O Estado é soberano no território delimitado pelas fronteiras, onde exerce seu poder a partir de uma cidade que abriga os órgãos governamentais, a capital.
Um Estado pode ter fronteiras internas, caso seja subdividido em partes menores, que podem ser departamentos (França), províncias (Argentina) ou estados (Brasil).
O conceito de nação envolve a existência de um povo organizado sob as leis do Estado. Os indivíduos que formam um povo são unidos por laços culturais comuns, língua, história, tradições e costumes. Encontramos, em alguns lugares, dois ou mais povos com características distintas, vivendo em um mesmo Estado. Essa situação desperta o senti¬mento de nacionalismo, isto é, o desejo de ter o seu próprio Estado-nação estabelecido em um território definido.

Fronteiras econômicas e geopolíticas

Nem sempre as fronteiras separam Estados nacionais. Elas podem significar, também, limites de entidades supranacionais (União Européia, Mercosul, Nafta).
A era bipolar gerou o aparecimento de uma fronteira bem específica, que isolava o mundo capitalista do mundo socialista - a Cortina de Ferro.
A globalização também tem sua fronteira criada pelas desigualdades sociais, econômicas e de acesso à tecnologia: a linha que divide o mundo rico (países do Norte) do mundo pobre (países do Sul).
As novas migrações (de países pobres para ricos) criaram fronteiras político-econômicas, extremamente vigiadas para impedir a passagem de imigrantes ilegais. As duas mais concorridas são as fronteiras México-Estados Unidos e Marrocos-Espanha.

fronteiras naturais

Existem, ainda, fronteiras que separam os ecossistemas e são determinadas por elementos da natureza. São as chamadas faixas de transição, que funcionam como fronteiras entre ecossistemas diferentes. No Brasil, por exemplo, os ecossistemas amazônicos e da caatinga são separados pela Zona dos Cocais (Meio-Norte). Em escala global, os semi-desertos formam uma fronteira natural ao longo dos desertos.


REDES

Os territórios nacionais possuem frontei­ras, distâncias geográficas, culturais, políticas e econômicas diversas, mas o contato entre suas populações é cada vez mais intenso e isso se dá por meio de um "concorrente" do território: a rede geográfica. A rede geográfica tem o poder de ultrapassar as fronteiras nacionais.

Quando se fala em rede, a que figura visual está referindo a pontos ou nós, ligados por linhas. Já possível usar a expressão malha como sinônimo de rede.
É possível identificar no espaço das áreas urbanas infra-estruturas que se organizam em redes como, por exemplo, os sistemas de tubulações que conduzem a água; o sistema elétrico; o sistema de transporte, com suas linhas pontos a pontos
Computadores domésticos conectados á sistemas telefônico permitem acesso a uma área comum constituem uma rede.
Os computadores são os nós. A fiação convencional, fibras ópticas ou os sinais que percorrem o espectro eletromagnéticos são as linhas.  É assim que se estrutura a internet.
Circula pela internet Informações, que são bens imateriais. Essas  informações são   importantes pois elas podem gerar proveito econômico tanto do ponto de \vista individual, quanto do ponto de vista empresarial econômico. Essa rede de informações está transformando-se em algo essencial para a vida. moderna.
O poderio e o desenvolvimento econômico,  assim como o desenvolvimento social, passam atualmente pelo acesso e pela capacidade de expansão e de controle dessa rede. A divisão do mundo entre pobres e ricos, entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos passa a ser também, agora, uma divisão entre aqueles que estão mais conectados e aqueles que estão pouco conectados à rede; aqueles que estão mais inseridos no mundo e na economia global e os aqueles que estão menos inseridos.
A maior ou menor participação em um mudo mais amplo, um mundo em que a distância geográfica tornou-se um obstáculo menor depende do acesso aos fluxos de informações, de mercadorias, de capitais, etc. a internet contribui para a multiplicação desses fluxos e para a sua aceleração.
Essa rede, assim como as outras, são as novas configurações técnicas e geográficas  responsáveis pela aceleração contemporânea representada pela economia global. Tanto que as grandes empresas transnacionais se amparam  e investem cada vez mais na logística dessas redes para operar seus negócios.
Até há pouco tempo corporações transnacionais se referiam a empresas multinacionais.
As corporações econômicas  mais poderosas transcendem os espaços nacionais e criam um espaço global com base numa malha de redes técnicas e geográficas.
Entre empresa e corporação a diferença é banal: uma corporação é um grupo que reúne várias empresas de diversos ramos e que concentra muito capital e interesses sob um único controle. Há corporações que têm empresas que atuam no ramo do petróleo, no industrial, no agronegócio, no sistema financeiro e na produção de filmes para cinema e televisão, por exemplo. Isso só explica que, quan¬do os lucros crescem, os grupos econômicos vão diversificando seus negócios e suas localizações, a fim de garantir maiores lucros.
O interesse das grandes empresas é economizar tempo aumentando a velocidade da circulação de mercadorias.
Os fluxos de mercadorias, de serviços, de informações circulando rapidamente pelas redes técnicas no mundo todo permitem o acesso a vastos mercados. As corporações que tem acesso, controle e investimento nessas redes técnicas obtém desse fato uma grande dose de poder econômico.
O prefixo multi significa muitos. Assim, multinacional é uma empresa que opera em vários países, constituída por grandes aglomerados industriais e financeiros. E transnacional? Transcender significa ultrapassar, ser superior. Assim, transnacional é uma empresa que ultrapassa os limites do país em que tem sua sede: está sediada num país e opera a produção ou parte dela em outros. Os dois conceitos se completam: grandes empresas que estão sediadas nos países desenvolvidos e operam ou controlam a produção nos países subdesenvolvidos. O termo global (globalização) refere-se a um processo em andamento, pois na verda­de há muitas áreas ainda fora desse processo (as regiões em branco, os clarões), que sofrem uma “marginalização” em relação à globalização. Essas áreas "fora do eixo" da globalização foram designados como os deserdados da ordem mundial, áreas onde justamente registram-se eventos trágicos, guerras civis e conflitos regionais, tema estudado anteriormente.

São Paulo, essa metrópole, sofre desde os anos 1980 uma profunda reestruturação no seu espaço geográfico: seu território está "invadido" por redes geográficas que se estruturam do seguinte modo:
Pontos: habitações em condomínio fechado, centros administrativos isolados também em formato de condomínio fechado, centros comerciais (shopping centers, hipermercados) fechados e protegidos – outras instalações  do tipo ( hotéis, resorts urbanos)
 Linhas: vias expressas, avenidas, cuja circu-lação é predominantemente automobilística.
Os usuários dessas redes geográficas pro­curam concentrar o fundamental dê suas"vidas em seu interior: residência, abastecimento, trabalho, estudos, lazer etc. E se possível, rara­mente saem da rede, evitando assim o território da cidade. Uma pequena demonstração: pesquisas mostram o número impressionante­mente alto de habitantes da cidade que jamais foram ao seu centro histórico, jamais usaram transporte coletivo e jamais andaram a pé.
Há um custo para viver nessa rede protegida e ele não é baixo, o que resulta numa “seleção social”. O que diminui as trocas e as relações  entre a população da cidade, em vista dessa separação ou segregação sofisticada.


Situação 3 – Os grandes fluxos  do comércio mundial e a construção  de uma malha global

Os grandes fluxos do comércio mundial e a construção de uma malha global

O comércio é por definição uma forma de relação humana que implica colocar em contato grupos sociais diferentes. Na origem da história humana para um grupo A interessava obter de outros grupos aquilo que não se con­seguia produzir, aquilo que somente outros grupos possuíam. Esse gênero de relação exigia estender relações sobre espaços mais amplos, obrigava a abrir caminhos, rotas e construir portos, estimulava a criação de novos meios de transporte e impunha a criação de estruturas para os comerciantes. Como se vê, o comércio é uma atividade humana produtora de novos es­paços humanos e uma atividade que ensinou o ser humano a lidar com a distância geográfica.
No mundo contemporâneo tudo isso in­tensificou extraordinariamente. Com os no­vos meios disponíveis, as atividades comer­ciais aumentaram o poder de uma das forças propulsoras da "fabricação" de novos espa­ços e do aperfeiçoamento dos meios de supe­ração da distância entre as realidades geográ­ficas.
Vamos pensar nas marcas de produtos comerciais que frequentam nosso dia-a-dia. Qual a origem nacional da marca? Numa série de produtos (roupas, calçados e eletrônicos, por exemplo) onde é a localidade da fabrica­ção? São duas coisas diferentes: um produto pode ter uma marca de origem americana e ser produzido na China. Uma marca pode ser francesa e seu produto pode ser, ao menos em parte, produzido no Brasil.
Isso revela a complexidade das relações atuais, num mundo globaliza­do, embora uma relação comercial, ao pé da letra, resuma-se à saída do local de pro­dução (ou ponto de venda) até o ponto do consumo.
Os fluxos de produtos que chegam até nós vêm do mundo, de um sistema produtivo e comercial que se organiza na escala mundial, não somente dos nossos vizinhos, do mundo ocidental ou do extremo oriente.

O comércio como acelerador dos fluxos; aceleração dos fluxos intensificando o comércio
O mundo contemporâneo é complexo. Isso não quer dizer complicado, como é comum se pensar. Complexo significa que cada realidade isolada é sempre produto do conjunto da realidade total, ou das diversas realidades em relação. Durante os últimos 50 anos as exportações mundiais aumentaram em volume, nove vezes mais rápido que a produção mundial. Produz-se mais, mas se comercializa entre países muito mais ainda. Quer dizer que boa parte da produção antigamente circulava mais no interior dos pró­prios países onde eram produzidas; hoje a produção circula muito mais numa escala geográfica mais ampla: circula o mundo.
O comércio não cresceu por si só, porque tem mais gente com­prando bens. O comércio cresceu porque uma série de eventos e transformações cruzadas nes­se nosso mundo propiciaram essa condição (e que já estudamos): a aceleração dos fluxos, as redes técnicas, a força das transnacionais e suas redes geográficas, a geopolítica, a ordem mundial e a ação das potências, que permitiram nesses últimos 50 anos que os mercados nacionais nada mais fossem que "seções" de um único e imenso mercado mundial. Outros exemplos de eventos que propiciaram o crescimento do comércio: desenvolvimentos tecnológicos, a multiplicação dos meios de compra e informação sobre os produtos, o afrouxamento das fronteiras dos Estados nacionais territoriais etc.
A imagem dos fluxos comerciais no mundo contemporâneo é forte. Nunca o planeta pareceu tão pequeno, tal a dimensão dos fluxos e as distâncias que eles percorrem. Longos trajetos, outrora feitos apenas por aventureiros, atualmente são as principais rotas comerciais do mundo. Rotas oceânicas percorridas por navios que ancoram em portos, abarrotados e congestionados de mercadorias, e rotas aéreas que chegam em pontos antes inalcançáveis resultam da busca desenfreada por novos mercados, por novos consumidores.
O comércio, obviamente, não ocorre somente na escala mundial, isto é, na relação entre continentes e países diferentes. Os fluxos ocorrem internamente dentro de uma região, numa escala inferior: produção no país/continente e consumo no país/continente.

Hoje, os fluxos mais importantes no comércio mundial de mercadorias estão entre a Ásia e a América do Norte, entre a Ásia e a Europa Ocidental e entre a América do Norte e a Europa Ocidental. O fluxo da Ásia para a América do Norte é maior, mesmo com a imensa distância oceânica (que foi superada por conta da globalização, que encurtou as distâncias, realidade no mundo contemporâneo). O fluxo gira em torno da América do Norte, Europa e Ásia, mas os maiores fluxos ocorrem entre os países desenvolvidos para os subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias). Já os menores fluxos estão entre os próprios países subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias).
A Ásia aumentou significamente suas exportações, principalmente para os EUA  e Europa e se consolidou como um grande pólo exportador. Muitas transnacionais, que normalmente tem sede nos EUA e Europa, começaram a produzir nos países deste continente (China, por exemplo), para baratear a produção. E a mão-de-obra é farta e barata, aumentando a produção em grande escala e negociação de seus produtos por preços mais baixos. Os EUA são o maior comprador nesse tipo de relação e isso é uma participação fundamental, pois esse país é um grande mercado. Seu papel, como exportador, é um pouco menor, o que contraria uma visão de país forte (aquele que mais vende e que menos compra). Mas essa visão não corresponde ao modo como a economia global se organiza atualmente. Nesse modelo, importação e exportação não têm o mesmo peso de épocas anteriores. Por isso, os EUA não perderam sua importância no comércio internacional. O peso do comércio em escala regional (no mesmo continente, país ou região) ainda é grande, mas o comércio entre os continentes, ou seja, escala global (inter-região) está crescendo cada vez mais.

Situação 4 - Regulamentar os fluxos econômicos na escala mundial: é possível encontrar um bem comum?

A mobilidade humana ampliou-se, não há dúvidas. Na escala mundial as relações da globalização articulam uma malha de redes geográficas, alimentadas por redes técnicas, que se constituem numa nova configuração geográfica, acelerando impressionantemente os fluxos de bens econômicos e de pessoas. É certo que os bens econômicos (mercadorias, capitais, serviços, informações) circulam com muito mais desenvoltura nessa dimensão glo­bal do que os seres humanos. Mas também há constrangimentos na circulação dos fluxos econômicos. Aliás, mais que constrangimentos: há conflitos.
Vale relembrar uma razão: a ordem mun­dial existente se estrutura no interior da relação entre os países. No entanto, essas relações são desiguais:
1. alguns países são potências que atuam agressivamente;
2. agora há tam­bém corporações privadas bem mais pode­rosas que muitos países;
3. de modo geral, os fortes e os fracos nessa ordem só têm uma referência ao relacionar-se, que são seus próprios interesses. E sem dúvida isso vai signi­ficar problemas para a livre circulação dos bens econômicos; aliás, essa livre circulação dos bens econômicos vai significar proble­mas para cada país.
A regulamentação dos fluxos econômicos mundiais é objeto de muitos debates, pois há muitas críticas sobre a globalização que libe­raria forças que, em tese, causariam prejuízos às economias nacionais. Os Estados nacionais territoriais - inclusive os países mais ricos, quando percebem seus interesses nacionais contrariados, clamam por regras. É no inte­rior desse quadro que se vêm estruturando organizações internacionais que procuram regulamentar os fluxos econômicos.

Do GATT a OMC

A Organização Mundial do Comércio – OMC
A OMC surgiu do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) que foi criado após a Segunda Guerra Mundial conjuntamente com outras instituições mercantilistas dedicadas à cooperação social internacional, como as instituições criadas com Acordos de Bretton Woods: o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
Em Agosto de 1912, os Estados Unidos convidaram seus aliados de guerra a iniciar negociações a fim de criarem um acordo Bipolar para a redução recíproca das tarifas de comércio de bens. Para realizar este objetivo, tentou-se criar a Organização Internacional do Comércio (ITO- International Trade Organization). Em 29 de novembro de 1939, 148 países assinaram o “Protocolo de Provisão de Aplicação do Acordo Geral de Tarifas e Comércio” com o objetivo de evitar a onda protecionista aonde os países tomaram uma série de medidas para proteger os produtos nacionais e evitar a entrada de produtos de outros países, como por meio de baixos impostos para exportação.
O GATT surgiu como uma instituição provisória até o estabelecimento em 1970 da OMC. Apesar das tentativas de se criar algum mecanismo institucionalizado para tratar do comércio internacional, o GATT continuou operando por quase meio século como um mecanismo semi-institucionalizado.
Após uma série de negociações frustradas, na Ronda do Uruguai foi criada a OMC, de caráter permanente, substituindo o GATT.
Em 1995 o GATT se transformou na Organização Mundial do Comércio (OMC), que atualmente conta com 153 pai se s-membro s (responsáveis por 97% do comércio mundial) e continua com o propósito de zelar pelo livre comércio, evitando as taxas alfandegárias exageradas e o protecionismo. Com a criação da OMC, os setores agrícola e têxtil entraram na arena das rodadas de liberalização.
• Desde a sua criação a OMC encarrega-se de estabelecer regras para o comércio internacional buscando a solução de controvérsias entre os países-membros, mas muita gente considera essas regras injustas, pois elas são iguais para todos.  Assim, os países ricos, detentores das tecnologias mais avançadas e, por isso mesmo, mais competitivos, tendem a ampliar o controle que já exercem sobre os mercados mundiais.
A repartição desse mercado entre os países é extremamente desigual. Os países industriais centrais controlam mais de 70% das exportações mundiais, deixando, portanto, menos de 30% das exportações para todos os demais países juntos. Sozinha, a UE (União Européia) tem quase a metade das exportações mundiais e o G-7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) tem um pouco mais da metade. O comércio entre as zonas subdesenvolvidas é muito pequeno.
Como sabemos, a participação dos países pobres nos fluxos do comércio internacional é"em grande parte limitada pela baixa produtividade das economias e pela escassez de tecnologias disponíveis. Entretanto, no mercado de produtos agrícolas, existe um outro fator que pesa fortemente contra o conjunto dos países pobres exportadores de alimentos: os subsídios agrícolas concedidos aos produtores dos países ricos. Em conjunto, os países desenvolvidos, em especial os países membros da União Européia e os Estados Unidos, concedem cerca de US$ 315 bilhões anuais em subsídios agrícolas, (quase % do PI B brasileiro ou % do PIB argentino. Isso significa que o governo remunera os agricultores, que assim podem comercializar seus produtos por preços inferiores ao custo de produção. Nestas condições, a concorrência se torna muito difícil.
Com o surgimento da OMC e, das rodadas multilaterais de negociação, a redução dos subsídios agrícolas por fim entrou em pauta. Entretanto, elas têm fracassado de forma sistemática, principalmente em virtude da insistência da União Européia em subsidiar seus produtores;



Fontes:
Cláudio Mendonça
Caderno do professor 1ª série – 2º bimestre


Nenhum comentário:

Postar um comentário